Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson
Produção: Megan Ellison, Spike Jonze, Vincent Landay
Fotografia: Hoyte Van Hoytema
Gênero: Drama/Romance
Estreia Mundial: 12 de Outubro de 2013 (New York Film Festival)
Estreia no Brasil: 12 de Fevereiro de 2014
Duração: 126 minutos

 

“Ela” já tem garantido um lugar especial no meu coração, há muito tempo eu não me emocionava e refletia de forma tão intensa no cinema.

É incrível como estamos cada vez mais apegados aos nossos dispositivos. Hoje, eles são praticamente uma extensão do nosso corpo, não conseguimos mais viver sem sua presença. É abordando esse tema que Spinke Jonze nos entrega um filme extremamente sensível e que, ao mesmo tempo, faz uma alusão a nossa sociedade que está vivendo menos as relações interpessoais e ficando mais tempo com seus eletrônicos. Engana-se, no entanto, quem pensa que há algum juízo de valor em relação ao personagem Theodore (Joaquim Phoenix de O Mestre) estar apaixonado por um sistema operacional – o qual se parece muito com um humano. O diretor em nenhum momento mostra isso como algo certo ou errado, ele nos mostra como aquilo é normal no universo do filme e o fato de ele não apostar em um cenário futurístico muito diferente/distante do nosso, reforça a convicção de que não estamos muito longe disso tudo realmente acontecer. 2013-12-17-herTheodore é um escritor que vive em uma solidão quase que extrema com sua vida se resumindo a vídeo-games e trabalho. A partir do momento em que ele adquire um Sistema Operacional que se autodenomina Samantha (Scarlett Johansson de Compramos Um Zoológico) e tem sentimentos, angústias e inseguranças assim como nós (em alguns momentos lembrando HAL 9000, o computador de 2001 – Uma Odisseia no Espaço), ambos acabam se apaixonando e vivendo uma história de amor, a primeira vista, muito curiosa.

O aprofundamento da relação, entretanto, é tão verdadeiro que em certo ponto da projeção você já esqueceu o fato de que ela não existe, visto que o dia-a-dia do casal não se diferencia do de quaisquer outros seres humanos – com exceção do contato físico, é claro. E isso se deve muito ao roteiro que é brilhantemente escrito pelo próprio diretor. A forma como ele nos apresenta o personagem, a sua infelicidade inicial e seu medo de seguir em frente, o tornam tão automático, robótico e fingido quanto a sua futura amada (percebe-se isso claramente pela repetição da cor vermelha em seu personagem e também pela sua profissão que é a de escrever cartas de despedida, de desculpas, enfim, mais fingimento). Após o surgimento de Samantha, notamos uma diferença em sua vida, ele consegue interagir um pouco melhor com as pessoas ao seu redor, há uma pequena variação de cores do seu vestuário (a despeito de ele continuar, de certa forma, vivendo sua vida no automático, mas não tanto quanto antes). Quando percebemos estamos apegados e torcendo pela felicidade dos dois juntos. Convenhamos conseguir fazer com que essa história se torne crível e emocionante é preciso de um roteiro extremamente inteligente e atuações fantásticas. É exatamente isso que encontramos em Ela.spike-jonzes-her-movie-review Não posso deixar de destacar, também, alguns aspectos técnicos do filme que me deixaram de queixo caído. Nesse caso, o figurino e a trilha sonora. O primeiro faz uma metáfora maravilhosa: enquanto eles estão numa época de modernidade, a suas roupas são, de certa maneira, antigas, fora de moda. Isso representa o quanto, apesar da evolução da tecnologia, as pessoas estão cada vez mais sozinhas e antiquadas (como se não fizessem parte do mundo em que vivem). Já a segunda, composta pelo grupo Arcade Fire combina com o filme de uma maneira incrível, além de ser extremamente tocante o Minimalismo utilizado em certas cenas que as lágrimas são inevitáveis.Her-Movie “Ela” já tem garantido um lugar especial no meu coração, há muito tempo eu não me emocionava e refletia de forma tão intensa no cinema. Spinke Jonze sempre consegue fazer isso e sem nenhum momento menosprezar os espectador. Quem não estiver disposto a pensar, vai ver uma história de amor linda e tocante. E quem quiser realmente se aprofundar, vai, com certeza, ficar alguns dias repensando em cada cena do filme e em cada discussão por ele proposta.

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