Durante a guerra fria, ficou popularizado, nos filmes hollywoodianos, estereotipar os russos, antissoviéticos, como vilões. Eram indivíduos sem senso moral, monstruosos, capazes de cometer as mais inescrupulosas atitudes para derrotar os “inimigos capitalistas”. Após a queda do Muro de Berlim, episódio conhecido por representar o fim definitivo do conflito indireto, o cinema se atualizou: trocou russos por árabes: os novos alvos dos Ianques. Infelizmente, parece haver ainda realizadores não cientes do século XXI, o que justifica o filme “Crimes Ocultos” chegar aos cinemas, sob a ótica mais primitiva possível.

Chamar esse equívoco de filme é uma grande bondade, pois a produção transborda de tanta pretensão e maniqueísmo, não foge de ser o que de fato é: uma grande bobagem. Na trama, um ucraniano (Tom Hardy) abandona suas raízes, é adotado por um soldado soviético, servindo futuramente como um alto membro do exército vermelho. Porém, no auge da guerra fria, há desconfiança de todos, colocando sua lealdade em xeque, paralelamente temos um serial killer matador de crianças, com o governo burocrático tentando abafar esses casos. Eis que o herói, sua esposa (Noomi Rapace) e um general do serviço secreto russo (Gary Oldman) resolvem se unir para desvendar o crime e, consequentemente, desestabilizar a elite do governo soviético.

Roteiro é algo que o filme mais carece, há uma tentativa bárbara de construir uma narrativa nostálgica, comparáveis às obras do tempo da guerra fria, entretanto não há competência e tampouco seriedade necessárias para isto. Há, sim, grande constrangimento, seja pelos atores num sotaque russo incrivelmente forçado, seja pela direção sem foco, variando entre várias temáticas e plots junto a um estúdio que gostaria de ser laureado com uma nomeação ao Oscar, passando longe de tamanha ambição. A direção de arte consegue ser fiel em reconstruir não só a União Soviética, como também o clima pesado e de mútua desconfiança durante o período denominado guerra fria. Contudo, a fotografia escura tenta ser uma metáfora visual para mostrar a “decadência” de uma pátria comunista, além do clichê mais vergonhoso de estereotipar um povo, uma nação.

“Crimes Ocultos” é mais uma obra esquecível e sem ritmo. Nada além de um desperdício de potencial e de elenco. Fica a dica para estúdios e produtores que almejam ganhar prêmios, acreditando que filmes de guerra são chamariz pra isso, que devam ao menos, se atualizar para o século que vivemos, sobretudo para compreender os conflitos históricos, respeitando os limites étnicos e humanos dos povos, sociedades e nações, algo que este aqui passa longe, não servindo sequer como mero entretenimento ou acréscimo histórico. Apenas uma bobagem com sotaque.

TRAILER LEGENDADO

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