Crítica | Creed – Nascido para Lutar

Crítica | Creed – Nascido para Lutar

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Por Leonardo Medeiros

O subgênero “filmes de boxe” possui uma estrutura muito semelhante. Geralmente tratam de um jovem determinado, talentoso e com uma infância difícil que tem o sonho de se tornar um grande boxeador e, ao procurar um treinador (provavelmente um ex-lutador) que inicialmente desacredita do protagonista, cria certa esperança em crescer no esporte. No clímax, o prodígio enfrenta o atual campeão da categoria e, contrariando todas as expectativas, vence ou ao menos chega no último round sem tomar um nocaute. Apesar de inúmeros filmes terem exatamente essa trama, vale dizer que clichês são clichês porque, quando bem aplicados, geram grandes obras. Esse é o caso de Creed, espécie de reboot e continuação da franquia Rocky Balboa.

No longa, somos apresentados ao jovem Adonis Johnson que sonha em ser lutador de boxe. Donnie, como gosta de ser chamado, é filho fora do casamento do ex campeão de pesos pesados, Apollo Creed. Morador de L.A., o protagonista se muda para Filadélfia e consegue que Rocky Balboa, ex-rival e grande amigo de Apollo, volte aos ringues, mas agora, no papel de treinador.

Mesmo seguindo a estrutura básica do subgênero a qual pertence, Creed ganha pontos por contar com uma direção surpreendente e bastante segura de Ryan Coogler. A primeira luta de Adonis, por exemplo, é composta por um único plano longo. Trazendo o espectador para dentro do ringue, a câmera gira, se aproxima, se afasta e gira de novo, sendo possível ver de perto o impacto com que cada golpe é desferido. Além disso, em uma das mais belas e inteligentes cenas do longa, graça ao posicionamento da câmera, podemos ver Donnie assistindo a luta de Apollo com Rocky projetada na parede, ao mesmo tempo em que o jovem assume a posição deste último e passa a lutar com seu próprio pai.

Ainda que conte com uma bela direção, é principalmente em suas personagens que reside a força do longa. O Donnie de Michael B. Jordan é uma personagem complexa e que facilmente obtém a simpatia de quem a acompanha. Embora seja explosivo, Donnie é um bom sujeito e o respeito com que ele trata sua mãe, sua namorada, seu mentor e até seus novos fãs é notável. Porém, nada disso seria suficiente sem o preparo físico do ator e a intensidade de sua atuação. Reparem, por exemplo, em como seu maxilar quase sempre está forçado, como se o protagonista tivesse uma enorme raiva acumulada. Há ainda o arco dramático envolvendo seu pai que também funciona para fortalecer a sua relação com Rocky de forma orgânica

Falando em Rocky, é interessante notar como Sylvester Stallone abre espaço para que Jordan possa brilhar sem se tornar uma figura apagada no longa. Com sua atuação indicada ao Oscar, Stallone tem um controle invejável do personagem que criou em 1976. E um momento que particularmente mostra a grandiosidade de sua atuação, é quando Rocky recebe certa notícia triste. Em apenas poucos segundos e utilizando principalmente o olhar, Stallone demonstra medo e choque para, no momento seguinte, mudar para uma expressão de resignação, como se estivesse cansado de lutar e aceitasse seu destino.

Por fim, com tantas qualidades apresentadas ao longo da projeção, é difícil segurar a emoção quando os primeiros acordes da icônica trilha sonora da franquia surgem em meio ao clímax do filme, sendo interrompida antes de ser completada para, segundos depois, mostrar Donnie desferindo um golpe certeiro em seu oponente. É como se, finalmente, tivéssemos encontrado um substituto à altura da grandeza da personagem de Rocky Balboa.

TRAILER LEGENDADO

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