Crítica | Cinquenta Tons Mais Escuros

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Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker, 2017); Direção: James Foley; Roteiro: Niall Leonard; Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Marcia Gay Harden, Kim Basinger, Eric Johnson, Bella Heathcote; Duração: 118 minutos; Gênero: Romance; Produção: Michael De Luca, E. L. James, Dana Brunetti, Marcus Viscidi; Distribuição: Universal Pictures; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 09 de Fevereiro de 2017;

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O que mais parece consumir a franquia baseada nos livros de E.L. James é justamente o preconceito, muito por onde se originou a história. A verdade, no entanto, é que, mesmo que sendo rechaçada por um cego preconceito, a adaptação para os cinemas não começou tão mal com Cinquenta Tons de Cinza, em 2015. Longe de ser um bom filme, tinha seus defeitos e ainda não sabe como lidar com muitos deles, mas outra vez, agora em Cinquenta Tons Mais Escuros, taxar nomes específicos do elenco ou o próprio filme em si como os piores que veremos no ano é um passo maior do que a perna. Há que se notar que é inevitável o constrangimento quando se assiste ao filme, mas não pela ideia de sexo em si que a produção tem, e justamente onde devia ter desempenhando a maior parte de seu tempo corrigindo.

O maior equívoco de Cinquenta Tons Mais Escuros, em todos os sentidos, ainda reside no roteiro. Tanto na narrativa em geral, com o desenrolar nas tramas, como nos diálogos que compõem as cenas. Aqui o principal pivô de tais constrangimentos, pois, mesmo 2 anos após o lançamento do primeiro filme, produtores parecem não ter se dado conta de como muitas das falas, principalmente as que decaem em frases de efeito, são simplesmente ridículas. Mesmo num espectro de suspensão de descrença, querer que o público acredite ou aceite tais expressões é algo no mínimo insensato.

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O que mais se faz sentir das escolhas deste segundo filme é, porém, a própria opção pela mediocridade. Algo que acontece porque se abraça a ideia de uma trilogia por completo e, uma vez mais, temos outra adaptação que passa por um filme que é simplesmente um processo de transição. Mas se não incompleto, portanto insatisfatório. Desde o que falta entregar em relação a seus protagonistas como nas próprias tramas que apresenta como possíveis ameaças a uma nova estabilidade que se pinta no horizonte para o casal protagonista. O que deveria ser o grande vilão, por exemplo, é uma figura tão dispensável que sua cena final soa como uma inserção de última hora.

O elemento, ou personagem, que menos sentido tem em sua introdução é uma “submissa” anterior do Christian Grey de Jamie Dornan. Ecoa a inconstante personalidade e figura que é o personagem neste segundo filme, pois uma mudança brusca se dá de forma igualmente abrupta. É como se o arrependimento, não do personagem, mas do filme, falasse mais alto. Como uma tentativa de corrigir alguma característica que anteriormente não havia funcionado, ou conquistado o público plenamente. Assim, mais do que nunca Christian Grey se torna um mero paspalhão, ganhando nuances que beiram a ignorância, como numa sequência pós-acidente que o personagem sofre. Aqui roteiro e direção parecem alinhar-se para entregar o ápice de algo que não sabe se esquivar do ridículo.

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O que mais dói, sem trocadilhos bobos, é como se descarta o desenvolvimento da personagem de Dakota Johnson (Como Ser Solteira). Porque acredito que o mais importante no primeiro filme era a percepção que a personagem da atriz passava a ter de seu próprio corpo. Era uma auto aceitação necessária, ainda que a atriz não fuja de um padrão ideal que se quer representar, mas é inegável que Cinquenta Tons de Cinza levava a personagem à descoberta do próprio corpo. Agora, em Cinquenta Tons Mais Escuros, há a apelação ao romance quase platônico invés da sensualidade do primeiro filme, descartando algo picante e decaindo a um melodrama que tornam as cenas de sexo aqui apáticas. O que se destaca dentre tudo isso, contudo, é outro momento.

Quando Christian basicamente implora que, de uma vez por todas, Anastasia faça o que lhe mandam é um momento que vale refletir pelo filme todo. Se E.L. James busca inspiração em Austen e nas Brontë e o roteirista a imprime em citações, dos nomes das autoras somente, falta perceber o que tanto perturbava Virginia Woolf, que reclamava das abruptas mudanças de meditações até feministas, em busca de igualdade e justiça, a alívios na trama, como uma risada qualquer de um personagem qualquer em Jane Eyre. Mais ingenuamente, Cinquenta Tons Mais Escuros tem tais alterações até quando se trata do romance para o suspense (inacreditavelmente), mas a submissão da personagem a contradiz por completo e defeituosamente emperra o funcionamento do todo. Menos para seu público, é óbvio. Este que deverá, provavelmente, receber de braços abertos o que funciona perfeitamente para si.

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