Crítica | Cinquenta Tons de Cinza

Crítica | Cinquenta Tons de Cinza

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Título Original: Fifty Shades of Grey

Direção: Sam Taylor-Johnson

Roteiro: Kelly Marcel

Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Eloise Mumford, Luke Grimes, Jennifer Ehle,

Produção: Dana Brunetti, Michael De Luca e E.L. James

Estreia Mundial: 13 de Fevereiro de 2015

Estreia no Brasil: 12 de Fevereiro de 2015

Gênero: Romance/Drama

Duração: 125 minutos

Classificação Indicativa: 16 Anos

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Antes de mais nada, vou fazer um esclarecimento: não tenho preconceito algum com o BDSM, as análises que farei a seguir são com bases no entendimento moral que o filme passa e que, de certa forma, prejudicam o protagonista. Em nenhum momento tenho por objetivo fazer qualquer julgamento, pois não tenho nada que me meter na vida sexual alheia. Certo? Vamos à crítica!

Tempo vem, tempo vai; entra ano, sai ano; quando foi a época da liberdade sexual? Anos 70 né? Pois então, chegamos em pleno século 21, mais exatamente no ano de 2015, no qual o sexo já não devia ser mais tabu. Se na vida real, aparentemente, algumas mudanças em relação ao assunto já vêm ocorrendo, o mesmo não pode ser dito para o cinema (mais especificamente para Hollywood). Acho que seria até redundante comentar que cinquenta tons de cinza (e sim preciso escrever por extenso) trata-se de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), porém vou enfatizar nessa fato, pois, pensa comigo, um filme que aborda esse tema tem que ter sexo, né? Cinquenta tons de Cinza tem mais melodrama do que putaria. É como ir ao McDonalds e pedir salada ou ir assistir a uma comédia que, na verdade, é uma produção de terror (e olha que isso acontece com mais frequência do que eu gostaria). Enfim, não tem como dar credibilidade a uma película que simplesmente foge do seu foco principal, pelo menos em boa parte da projeção.

Mas vamos ao que interessa (ou não); à trama. Anastacia Steele – se quiser riscar esse nome e escrever Bella Swan, pode riscar que é tudo a mesma coisa – é uma garota de 21 anos prestes a se formar em literatura inglesa, sem vida, sem namorado, ou seja, nada de interessante para se contar. Tudo isso muda quando ela, por acidente, vai entrevistar o multibilionário rico famoso lindo playboy e filantropo (opa gente, filme errado, desculpa) Christian Grey, cof…cof Edward Cullen. Ambos tem uma atração muito intensa: ela não consegue parar de pensar nele e ele tem uma ânsia inexplicável de querer protegê-la (acho que eu já vi isso antes em algum Crepúsculo lugar). Ao passo que Ana vai conhecendo mais a fundo Grey, entretanto, ela descobre que ele tem um lado obscuro. Ele não gosta apenas da boa e velha safadeza mamãe e papai; ele gosta mesmo é de dominar, possuir, chicotear, “agredir” as suas submissas, e com ela, à primeira vista, não vai ser diferente.

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Para melhor exemplificar meus sentimentos, vou dividir a fita em duas partes. Na primeira eu apenas “queria estar morta” a cada segundo: diálogos bem inúteis e repetitivos (Por exemplo: Ana comenta que está com o computador quebrado e se passam 15 minutos de projeção, ela repete a mesma fala para na cena seguinte aparecer um técnico, a mando de Grey, consertando o Macbook. Serio isso é tirar o espectador para idiota, só pode); história mais batida impossível e, pior, semelhante a crepúsculo; personagens bem desinteressantes; direção de arte bem cafona. Enfim, tudo se encaminhava para um grande desastre nível Crepúsculo. Contudo, na segunda parte do filme, resolveram deixar as coisas mais interessantes em – quase – todos os sentidos.

Se antes o casal era insosso e sem muito aprofundamento, nesse segundo e último ato passamos a analisar mais afundo algumas discussões que até então estavam sendo levadas de maneira bastante plana. Percebemos que Christian, além de muito mimado, teve um passado bastante complicado o que explica, tecnicamente, as suas preferencias. Porém, no filme, essa discussão vai um pouquinho além: o quanto ele está disposto a esquecer esse “trauma” (haja vista que está prejudicando o relacionamento com o amor da sua vida) para tentar viver uma vida “normal” ao lado de Ana. Claro que em uma relação a dois, sempre ambos acabam cedendo, mas no caso do protagonista a situação é bem mais complicada, dado o seu passado e situação atual. Outro ponto que Cinquenta Tons de Cinza evolui em relação a Crepúsculo é na maturidade feminina. A despeito do filme ser em boa parte machista pelo fato de explorar muito mais o corpo feminino que o masculino, por exemplo, Anastacia da metade para o fim, se mostra uma mulher apaixonada, sim, mas nem, por isso, disposta a desistir de sua vida e de suas convicções para ficar com o gostoso da parada. Ela tem uma opinião e luta por ela, ainda que esteja suscetível a discutir algumas cláusulas.

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Cinquenta Tons de Cinza é um filme dividido e que fica em cima do muro. Não é bom, mas não é ruim ou péssimo; tem sexo, mas pouco mostra; discute alguns temas, mas acaba não os aprofundando muito. É muito bem feito (na segunda metade), seja em direção, seja em fotografia ou direção de arte. Vemos um cuidado com o que estava sendo feito, inclusive nas cenas de sexo (apesar de eu não gostar da forma como elas foram inseridas na montagem); o casal funciona, tem química e no final a discussão trazida nos faz realmente esperar por uma continuação. Enfim, como eu disse Cinquenta Tons de Cinza está longe de ser um filme maravilhoso ou digno de Oscar, contudo, está longe, também, de ser essa porcaria que os haters vêm pregando por causa do livro.

TRAILER LEGENDADO

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Editor-Chefe do Cine Eterno. Estudante apaixonado pelo universo da sétima arte. Encontra no cinema uma forma de troca de experiências, tanto pelas obras que são apresentadas, quanto pelas discussões que cada uma traz. Como diria Martin Scorsese "Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora".

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