Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Billy Ray
Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Catherine Keener
Gênero: Drama/Thriller
Estreia Mundial: 10 de outubro de 2013
Estreia no Brasil: 8 de novembro de 2013
Duração: 134 minutos

Capitão Phillips é vendido, erroneamente, como thriller convencional e batido, mas por trás desse esteriótipo esconde-se um dos filmes mais inteligentes, críticos e tensos desta temporada de premiações. Onde a história baseada em fatos reais parece até ser fora do comum, mas, desde a premissa inicial, com elementos que geram expectativas – que são superadas- de um grandioso filme a ser visto.

Richard Phillips (Tom Hanks) é um capitão da marinha mercante prestes a embarcar em seu novo trabalho: levar o cargueiro Maersk Alabama até a África com alimentos para o povo. Em contrate com os preparativos do capitão, uma tribo somali escolhe grupos para executar o roubo de navios, pirataria moderna. Apesar de resistir inicialmente, o navio de Phillips é tomado pelos neo-piratas e , pelo fato de ser capitão de um navio “ianque”, o capitão é sequestrado pelo bando liderado por Muse ( Barkhad Abdi), que pretendem  exigir um milionário -e surreal- resgate.

Dentre as inúmeras qualidades do longa, a direção do inglês Paul Greengrass se sobressai. Com sua câmera nervosa, consegue-se construir uma atmosfera de tensão e mal estar, seja em momentos de rotineiros, como uma parada para a “hora do café” ou nos momentos de maior tensão com os piratas. Em cada sequência, é inevitável a impressão que algo está prestes a acontecer e mudar o cenário atual. É inquietação o longa inteiro, deixando o expectador ofegante, porém impotente, podendo apenas torcer para que o desfecho seja o melhor possível.


O impecável roteiro de Billy Ray consegue realizar difíceis proezas: a primeira vem na construção dos personagens e as relações entre si, visto que nenhum transborda heroísmo e nem vilania. Todos são pessoas comuns, vitimas da circunstâncias da vida, lutando para sobreviver. O retrato dos piratas, ex-pescadores, evidencia que a criminalidade é um caminho praticamente inevitável para os excluídos sociais, ainda mais em sociedades tribais. O segundo trunfo é o fato de ao mesmo tempo que o poderio bélico norte-americano ser exaltado, há uma crítica ao excessivo intervencionismo do Tio Sam, criador dos próprios inimigos. É a mesma justificativa e sentimento que o 11 de setembro representa, porém em menor proporção: troca-se o petróleo do oriente médio pelos peixes da África, como diz o pirata Muse em determinado momento “Vocês roubaram nossos peixes, tomaram nossos mares, por isso, de pescadores, viramos piratas”.


Sobre o elenco, Tom Hanks em sua plenitude, mostrando que ainda é um excepcional ator e pode oferecer muito. Em seus 10 minutos finais, ele consegue reafirmar sua capacidade de se expressar, merecendo novamente um lugar ao sol. A revelação e surpresa ficam por conta de Barkhad Abdi, um ex-motorista que foi escolhido pelo próprio Greengrass para viver o líder dos piratas. O estreante mostra uma notável naturalidade e capacidade em expressar um misto de tensão, ingenuidade e desespero de um personagem que tinha tudo para ser estereotipado, mas que, felizmente, se sobressai.

Capitão Phillips foi indicado a 6 -merecidos- Oscar’s, porém ficou um tanto que ofuscado por seus concorrentes populares. O que é uma baita injustiça, se tratando de um filme inspirado e inteligente. Usando o evento em si como oportunidade para mostrar como a ganância faz uma nação oprimir outra, o que faz esta gritar pela sobrevivência, mesmo que assim tenha que abraçar a marginalidade.

~TRAILER LEGENDADO~

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Estudante, questionador, indeciso e idealista. Amante da Sétima Arte, acredita que a cultura e a educação são os principais instrumentos de transformação social. Apaixonado pelo Brasil em toda sua plenitude e cores.

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