Crítica | Ao Cair da Noite

Ao Cair da Noite (It Comes at Night, 2017); Direção: Trey Edward Shults; Roteiro: Trey Edward Shults; Elenco: Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Kelvin Harrison Jr., Riley Keough; Duração: 91 minutos; Gênero: Terror, Suspense; Produção: David Kaplan, Andrea Roa; Distribuição: Diamond Films Brasil; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 22 de Junho de 2017;

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Trey Edward Shults conquistou para si determinado respeito quando lançou, em 2015, seu primeiro longa-metragem. Krisha, híbrido entre ficção e realidade, era um drama familiar com requintes de thriller psicológico que fazia um uso primoroso da linguagem cinematográfica. Eis que, posteriormente, se faziam inevitáveis as altas expectativas para a segunda empreitada do diretor, roteirista e editor, ainda mais em um terreno de gênero e ainda mais especificamente no terror, gerando uma curiosidade sobre como o mesmo conseguiria repetir uma sensação imprimida em sua estreia, agora potencializada pela maior variedade de ferramentas à sua disposição. Segurança é o que não falta ao diretor, que transforma seu Ao Cair da Noite (It Comes at Night) numa experiência cinematográfica singular, sem sequer deixar parecer que o gênero no qual se encaixa é um onde encontramos uma das saturações mais latentes em filmes. Aqui tudo parece conspirar a favor, todo o conjunto da obra parece muito bem orquestrado e coordenado na construção de um suspense sobre o que está a espreita, se é que há algo. Se era possível deixar de lado saídas simples, com resoluções baratas, Trey Edward Shults o faz e opta aqui pela conquista do que atinge nossa psique, tendo coragem para criar algo que pode, sem dúvidas, gerar controvérsia.

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Um filme efêmero, que torna difícil entrar em detalhes de sua narrativa sem entregar demais sobre o que aguarda o espectador. O importante é, no entanto, como se chega ali. Elementos que eram uma clara experimentação em Krisha, retornam aqui com a devida cadência, exibindo um amadurecimento do cineasta. Das referências que influenciam no filme, algumas saltam a mente, mesmo que por mais passageiras que sejam. Ainda assim, parece factual que o que exerce forças sobre Ao Cair da Noite, seja externa ou não, é mesmo um jogo de videogame, no caso The Last of Us. Por mais que se possa considerar a comparação um tiro no escuro, a semelhança das temáticas, e como se lida com elas, é inegável. Ressalta, portanto, a paciência e a honestidade que se apresenta para aos poucos desenvolver uma história com paixão e assim nos levar de um ponto a outro. Há clareza no que acontece, e os personagens são críveis por isso. Alia-se a essa consistência o excelente trabalho do elenco, protagonizado por um exímio Joel Edgerton (O Presente), mas onde encontramos ótimo uso dos talentos já comprovados de Kiley Reough (Mad Max: Estrada da Fúria), Christopher Abbott (O Ano Mais Violento) e Carmen Ejogo (Alien: Covenant, Animais Fantásticos e Onde Habitam, Selma), bem como vemos Kelvin Harrison Jr. (O Nascimento de Uma Nação) ser providenciado com um material de respeito, que o ator corresponde à altura.

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Aos poucos vamos presenciando um bom desenvolvimento dos personagens, que culmina num igualmente bom desenvolvimento da narrativa, visto que ambos são, no caso de Ao Cair da Noite, plenamente concomitantes. O resultado pode não ser pioneiro, mas é tão bem executado que sua funcionalidade chega a impressionar. Detalhes não estão ali à toa, e quando se percebe a razão da existência dos mesmos, o público encontra oferecido por Trey Edward Shults algo que é delicioso. É uma constatação no mínimo estranha. Contudo, o que o filme desenvolve, mesmo em meio ao suspense e aos sustos, torna o incômodo numa experiência desejável. A inquietação que é gerada pela técnica do jovem diretor nos respalda em uma câmera que capta planos que sempre tem algo a dizer, a própria maneira com a qual algo nos é mostrado conta, por si, uma parte da história. Conforme as peças são unidas só resta se deixar ser hipnotizado pelas paranoias que aos poucos consomem aqueles com quem nos encontramos, inevitavelmente, tão preocupados. De forma poética, o que se vê é praticamente um estudo, por isso mesmo até sendo capaz de gerar controvérsia. É bastante plausível que haja insatisfação daqueles que esperam determinada coisa, mas em Ao Cair da Noite, e no que o título implica, o que resta é a única temeridade que, de fato, nos assombra.

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Crítica | Ao Cair da Noite

Ao Cair da Noite (It Comes at Night, 2017); Direção: Trey Edward Shults; Roteiro: Trey Edward Shults; Elenco: Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Kelvin Harrison

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