Crítica | Beleza Oculta

Beleza Oculta (Collateral Beauty, 2016); Direção: David Frankel; Roteiro: Allan Loeb; Elenco: Will Smith, Kate Winslet, Helen Mirren, Edward Norton, Keira Knightley, Michael Peña, Naomie Harris; Duração: 97 minutos; Gênero: Drama; Produção: Bard Dorros, Michael Sugar, Allan Loeb, Anthony Bregman, Kevin Scott Frakes; Distribuição: Warner Bros. Pictures; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 26 de Janeiro de 2017;

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Constrangimento é a palavra mais correta para nos referirmos a Beleza Oculta (Collateral Beauty). Não há discussão de que é ridículo ver atores e atrizes de talento imenso, tal qual Kate Winslet, balbuciarem linhas de diálogo que sequer parecem ter sido testadas antes por quem as escreveu. É mais do que isso, no entanto. O filme de David Frankel (Apenas Uma Chance) flerta com a possibilidade de se tornar a suma do cafona.

“Tudo que começa com a morte de uma criança de seis anos dá errado”, afirma o personagem de Michael Peña (Perdido em Marte). Por mais fria que seja a comparação, é justamente tal tragédia que move a narrativa de Beleza Oculta. É irônico, portanto, o quão errado e equivocado o filme consegue ser, fazendo com que um deslocado diálogo se torne praticamente um presságio do que está por vir.

Não que demore para percebemos que há algo errado. Na verdade, o primeiro ato do filme é tão irregular que quando chegamos ao clímax da produção é surpreendente que consiga se mostrar algo minimamente coerente. Contudo, não deixa de ser incompreensível como uma obra com tantos nomes consagrados ou reconhecidos não somente não funcione, mas caminhe para aquele que é um dos maiores desastres do ano.

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O conceito de Beleza Oculta não é de todo ruim, exceto que algumas de suas facetas já foram exploradas incansavelmente em histórias que permeiam o Natal e seus fantasmas passados. A ambição do roteiro de Allan Loeb, entretanto, se confunde mais do que lança novas tendências a um nicho de filme que faz, ou fazia, sucesso em datas festivas.

Enquanto se faz pensar que é embasado em reviravoltas, Beleza Oculta acaba se sustentando por tênues incertezas. Quando digo se sustentando, porém, não é uma indicação de que há alguma estrutura. Pelo contrário, essa base sobre a qual o filme se joga é tão frágil que acaba por fim não sendo sequer suficiente para nos convencer de qualquer coisa na história.

O problema também está no elenco de grandes nomes do filme. Porque se quer dar atenção a todos eles e, por mais que em certo momento um ou outro represente um sentimento em si, não há o desenvolvimento necessário para nenhum dos personagens. O que faz com que as reviravoltas ora não reservem surpresa alguma, ora não funcionem porque não há trabalho algum do roteiro para dar fundamento a elas ou aos personagens.

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Desde um roteiro equivocado e preguiçoso, que não tem vergonha alguma em usar e abusar de clichês, convenções e emoções baratas, até uma decupagem que, se não irregular, então também sem inspiração alguma. O que vemos refletido na edição quando se constroem os diálogos entre dois personagens. Planos e contraplanos destoam e parecem um jogo de perguntas e respostas.

A montagem de Beleza Oculta é também um de seus inúmeros pontos fracos, porque mesmo enquanto a minha capacidade de encarar um melodrama barato com toda a frieza possível, é o próprio filme que se faz estranho ao distribuir sequências destoantes uma atrás da outra. Não há lógica na construção, ou subsequência, entre cenas dramáticas, alívios cômicos -alguns dentro dos próprios diálogos dramáticos- e intrusões de stablishing shots com trilhas sonoras que mais transbordam alegria.

Uma colagem de ideias incompletas, Beleza Oculta parece em si algo incompleto. Sem qualquer sensibilidade, a melhor capacidade do filme de David Frankel pode ser ofender seu público. Will Smith (Esquadrão Suicida) e companhia, coitados, podem ter tentado o quanto for, mas não há nada que lhes sirva como um favor, ou um simples auxilio, em prol de suas atuações. Mas não há de livrá-los de culpa também, afinal, a única desculpa para aceitaram um texto tão desencontrado como este só por razões contratuais obrigatórias.

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