Crítica | Armas na Mesa

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Armas na Mesa (Miss Sloane, 2016); Direção: John Madden; Roteiro: Jonathan Perera; Elenco: Jessica Chastain, Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, Michael Stuhlbarg, Alison Pill, Jake Lacy, John Lithgow, Sam Waterston; Duração: 132 minutos; Gênero: Drama, Thriller; Produção: Ariel Zeitoun, Ben Browning, Kris Thykier; Distribuição: Paris Filmes; País de Origem: Estados Unidos, França; Estreia no Brasil: 02 de Fevereiro de 2017;

Confira, também, a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Aproveite e clique aqui para conhecer o nosso canal do YouTube!

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Cinema e política muitas vezes estão diretamente interligados, por vezes fazendo propaganda e nem sempre indo parar do lado certo da história. Outras vezes, na maioria inclusive, temos críticas sutis, algumas até tão mascaradas que estritos regimes de governos podem abraçar sem perceber que são alvo da crítica. Mas quando um filme abraça a política como sua temática é preciso sobriedade plena para funcionar.

O que não é o caso de Armas na Mesa (simplesmente Miss Sloane no original). Aliás, já adianto que o grande problema encontrado pela produção é esse: não saber contornar seus desejos políticos com a realidade. Porque, trilhar caminhos que muito da população tem em mente, é mais ingênuo do que factualmente efetivo.

Armas na Mesa demonstra claramente como isso funciona, mas não porque quer, e sim por tornar-se vítima da própria sede de justiça. Quer seja contrário ou não a regulação mais estrita da compra de armas nos Estados Unidos, é impossível ao espectador negar que o filme de John Madden (O Exótico Hotel Marigold 2) recorre ao melodrama para apelar a favor daquilo que prega.

O que enfraquece o próprio trabalho do estreante Jonathan Perera como roteirista, pois num trabalho que se quer sustentar a reviravoltas brilhantes, na visão de quem escreve, recorrer a tais táticas faz destoar por completo o filme. Na batalha entre lógico e racional contra o emocional, é este segundo quem vence. Infelizmente sem ponderar as consequências que gera.

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Contudo, antes mesmo do pior vir, Jonathan Perera já enfrenta problemas quando nos atentamos às similaridades nas quais Armas na Mesa se esbarra. Muito distante do plágio, o termo correto aqui é inspiração. Desde o primeiro momento podemos perceber traços estilísticos, no texto, que se assemelham a de um famoso roteirista.

Só que a inexperiência fala muito mais alto, e o roteiro sequer chega perto de imprimir qualidade semelhante aos rápidos, intensos e carregados diálogos encontrados nos trabalhos de Aaron Sorkin. Não coincidentemente os dois tem uma queda muito forte pela política norte-americana. Enquanto um, já experiente, segue de forma muito pragmática, o outro apela ao esperançoso, até utópico.

Justamente para manipular o sentimental surge a trilha sonora do compositor Max Richter. Suas notas conversam mais com o público do que os próprios diálogos dos personagens. Estes que, ao invés de serem bem estruturados, tanto diálogos como personagens, se baseiam mais em frases de efeito.

Gugu Mbatha-Raw (Easy, Um Estado de Liberdade) em momentos até rouba a cena da Sloane de Jessica Chastain (O Caçado e a Rainha do Gelo), mas o trabalho da atriz coadjuvante jamais seria capaz de ter excelência suficiente para suprir o que falta o roteiro dar a sua personagem. Fadando-a simplesmente a uma reviravolta da trama que serve exatamente como uma frase de efeito deveria, e exercendo a mesma pieguice.

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A própria Sloane de Chastain não tem salvação, pois há pouco que o roteiro de fato faça pela atriz. Ideias iniciais são apresentadas, mas abandonadas sempre que se fazem convencionais ao roteiro. A tentativa de problematizar uma mente brilhante é barrada por conta da ingenuidade.

O filme teme em arriscar um tom mais realista, tanto em sua narrativa como na sua protagonista. O drama, portanto, não funciona porque não é explorado corretamente, com o respeito que merecia. As diferentes nuances tentadas dar a Sloane são meramente superficiais, não exercendo efeito algum porque também não são levadas a sério.

A razão disso é que Armas na Mesa, por si só, não percebe o quanto está encantado com o espetáculo que se faz o congresso norte-americano. Se lembra House of Cards é mesmo pela temática, pois frente a outro experiente autor, Beau Willimon neste caso, falta a John Madden e Jonathan Perera a frieza necessária que este esbanja. Numa história que quer sempre estar um passo à frente, Armas na Mesa já sai perdendo quando se deixa levar pelo emocional.

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