Crítica | Anomalisa

Crítica | Anomalisa

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Título Original: Anomalisa

Direção:  Duke Johnson e Charlie Kaufman

Roteiro: Duke Johnson e Charlie Kaufman

Elenco: David Thewlis, Jennifer Jason Leigh e Tom Noonan

Produção: Duke Johnson, Charlie Kaufman, Rosa Tran, Dino Stamatopoulos

Estreia Mundial: 4 de Setembro de 2015

Estreia no Brasil: 28 de Janeiro de 2016

Gênero: Animação

Duração: 90 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

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Logo no início da projeção, já é possível perceber que Anomalisa é um filme diferenciado. Seja pela forma como a animação foi realizada, seja pela profundidade e singularidade dos personagens, o projeto fundado por meio de financiamento coletivo, não tem medo de nos apresentar um protagonista envolto em um mundo particular (e bizarro) no qual o taxista, o gerente do hotel, a sua mulher, o seu filho e as pessoas ao seu redor parecem ser absolutamente iguais, além de terem a mesma voz. E não, não há uma explicação aparente para isso. Porém, quando começamos a tentar decifrar essa questão, um mundo começa a se abrir e percebemos que estamos diante de algo muito mais complexo.

Michael Stone, autor de um best seller de auto ajuda, viaja para a ficcional Cincinnati para dar uma palestra, reencontrando lá um amor do passado – o qual termina por trazer nada mais do más lembranças. Contudo, ele conhece Lisa, que além de ser fã de seu trabalho, possui diferenças em relação a todos que estão ao seu redor, pois ela tem voz e feições únicas. E essas disparidades são suficientes para trazer vida novamente a Stone – ou pelo menos fazer com que ele acredite nisso.

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A sinopse da película pode parecer simples, mas não se engane, objetividade é uma palavra que passa muito longe da produção dirigida e roteirizada por Charlie Kaufman e Duke Jonhson, aliás, aqui a história pouco importa, pois estamos, na verdade, lidando com a crise de um homem e a forma como essa questão acaba influenciando não só as suas atitudes, como todo o universo ao seu redor. Reparem que todo mundo têm a mesma voz, a mesma fisionomia, o mesmo estilo de se vestir. Todos, com exceção de Lisa. Isso chama atenção de Michael Stone e ficamos nos indagando o tempo inteiro, por que? Por que isso está acontecendo? Por que todos são iguais? Por que só Lisa é uma “anomalia”? A resposta pode demorar a vir e pode ser mais dura do que aparenta. O protagonista pode estar passando por uma crise de meia idade? até pode, mas não se encaixa muito. Na verdade, entendo que Michael Stone apenas esteja projetando a sua vida infeliz e monótona para todo o ambiente, não é a toa que seu sobrenome, em tradução literal, seja “rocha”, ou seja, algo imóvel, sem muita alteração a não ser àquela que o tempo ou uma intempérie faça.

A partir disso, chegamos ao objetivo de Kaufman e Johnson de usar a animação não com o intuito de fazer alegorias, mas sim de trazer a dura realidade de alguém em depressão, ou melhor, de um escritor que ensina pessoas a melhor se comunicar com outras, quando nem ele mesmo consegue lidar com sua família ou amigos, visto que todos, em sua cabeça, são iguais. Enfim, a sua crise é tão forte que ele deixou de ver a beleza e individualidade de tudo ao seu redor. E isso é reforçado com maestria pelos diretores, visto que, exceto Michael e Lisa, o resto dos personagens tem as mesmas feições. Podem mudar os cortes de cabelo, o gênero, as vestimentas; o rosto, contudo, é sempre o mesmo.

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E por fim, Anomalisa nos força a mergulhar na realidade, ao contrário do que a maioria da animações tenta fazer. Assim, relembramos das dificuldades de quem passa por depressão; de quem se sente alheio ao mundo em que vive, aliás, de quem esquece de tempos em tempos a felicidade. E não, não é sempre que se encontra uma Anomalisa, ainda mais quando ela pode ser apenas uma invenção que, de uma hora para a outra, pode virar igual a todo o resto.

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