Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, 2017); Direção: David F. Sandberg; Roteiro: Gary Dauberman; Elenco: Talitha Bateman, Lulu Wilson, Stephanie Sigman, Anthony LaPaglia Miranda Otto, Samara Lee; Duração: 109 minutos; Gênero: Terror; Produção: Peter Safran, James Wan; Distribuição: Warner Bros. Pictures; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 17 de Agosto de 2017;

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Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation) é um filme que parece aceitar que seu antecessor não foi exatamente um acerto, afinal, apesar do sucesso de público, a crítica foi quem teve mais razão sobre a produção, que se fez mais esquecível que o desejado e claramente apenas tirava proveito do sucesso conquistado por Invocação do Mal (The Conjuring), onde se havia dado um satisfatório pontapé inicial na franquia que agora conta com quatro filmes, além de um quinto programado para o próximo ano. Os nomes envolvidos, principalmente na produção, tendem a não ser tão variantes e, mesmo numa franquia aparentemente consolidada como essa, é bastante fácil confundir os filmes entre si, com uma similaridade perceptível, assim como os da franquia Sobrenatural (Insidious), também produzida/dirigida por James Wan, e o sucesso anterior do diretor David F. Sandberg, onde adaptou seu curta no longa Quando as Luzes se Apagam (Lights Out), também produzido por esse mesmo James Wan. Os enredos também são sempre recheados de semelhanças, e agora conexões forçadas e dignas de risadas, mas parece ser a trilha sonora quem denota a falta de criatividade e comodidade encontrada por todos esses filmes. Troca-se o compositor, mas as notas parecem manter-se sempre as mesmas. Um reflexo de como apenas a roupagem, muito superficialmente, muda de um filme a outro.

Então essa continuação nada inova em relação ao que já se tem visto ao longo dos anos. É verdade que falta de originalidade não é sempre um problema, mas quando nos deparamos com uma história já explorada por tantas vezes é importante que, ao menos, a execução traga algo que justifique a experiência. Um diretor como este, no entanto, pouco tem a oferecer, vide o desastre que é seu longa de estreia. Aqui sua direção é mais segura, ainda assim David F. Sandberg deixa a desejar, inclusive tornando-se autofágico e inserindo elementos de seu próprio trabalho na franquia, numa referência ao próprio ego, onde até mesmo faz questão de incluir sua esposa, mesmo que numa ponta de participação que dure segundos. Somos relegados, portanto, apenas a sustos baratos e demônios trapezistas, os quais devem funcionar em níveis subjetivos variando de pessoa a pessoa, isso se funcionarem ao todo. O pior reside, porém, na maneira a qual se tenta emular algumas das características estilísticas do cinema de James Wan. Longe de criar narrativas visuais geniais, esse estilo ao menos é utilizado propriamente e empregado com méritos, por vezes, quando sob a tutela de seu “precursor”. Quando utilizado como é aqui, temos algo como o que se pode ver no prólogo do filme, num movimento de câmera ridículo realizado por sobre a igreja em cena.

Pouco auxilia o roteiro, em todos os seus quesitos. O material é tão fraco que torna o trabalho de qualquer um difícil. Personagens e diálogos se fazem um sofrimento e, aliados às atuações, o resultado do que vemos é puro constrangimento. Talvez o momento mais marcante em relação a isso seja numa cena entre Anthony LaPaglia e Stephanie Sigman (Narcos, American Crime), onde tudo que há de errado no filme é sintetizado, rendendo aquela risível conexão que citei. Uma cena que soa tão equivocada, mas que se torna uma sensação comum, infelizmente. É decepcionante ver, inclusive, uma atriz como Miranda Otto reduzida a uma participação tão relativamente pequena e que pouco exige de seu talento, ou sequer exige qualquer talento, afinal sua principal cena é um desses momentos comuns e, de quebra, não passa de uma mera exposição de roteiro. A história é tão simples que não parece haver como errar, ainda assim é tão errado que não há como lamentar. Estruturalmente funciona, e deve agradar uma parcela do público, mas caso haja maior exigência, a decepção é certa, não que haja, também, qualquer surpresa nisso. Contudo, é realmente entristecedor termos em mente o sucesso de cada produção quando, em um mesmo ano, temos filmes em dois extremos, como este Annabelle 2: A Criação do Mal de um lado, e o excelente Ao Cair da Noite (It Comes at Night) do outro; semelhantes em suas intenções de explorar a claustrofobia, um falha miseravelmente, o outro é tudo o que este primeiro almeja.

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