Crítica | Amantes Eternos

Crítica | Amantes Eternos

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  • Título Original: Only Lovers Left Alive
  • Gênero: Drama/Romance/Terror
  • País de Origem: Estados Unidos
  • Duração: 122 minutos
  • Direção: Jim Jarmusch
  • Roteiro: Jim Jarmusch
  • Elenco: Tilda Swinton, Tom Hiddleston, Mia Wasikowska, John Hurt, Anthon Yelchin & Slimane Dazi
  • Ano: 2013

 

Desde a primeira vez que ouvi falar de “Only Lovers Left Alive” (ainda não me acostumei com o título em português), na época em que foi exibido no Festival de Cinema de Cannes 2012, adquiri uma certa curiosidade e ansiedade em assistir ao longa-metragem. Não só pelo elenco, que também me chamou a atenção ou pelo visual, mas principalmente pelo tema que trazia e o nome visto na direção. Ver o cultuado Jim Jarmusch, diretor de obras como “Estranhos no Paraíso” e “Flores Partidas“, trazer vampiros como seus protagonistas, seria no mínimo interessante. Me remeteu logo a Abel Ferrara, outro americano que também os trouxe em “Os Viciosos“, associando sua dependência de sangue ao vício das drogas. O cinema feito pelos dois não chega a ter muito em comum, mas são possibilidades de se ver uma nova perspectiva para um tema já bastante trabalhado, ainda mais recentemente com o sucesso juvenil de “Crepúsculo” e outras séries.

No filme, temos o casal Adam e Eve, apaixonados durante séculos e que acompanham a evolução desastrosa da humanidade. Suas vidas acabam abaladas com a chega da irresponsável irmã caçula de Eve, Ava.

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O nome dos protagonistas – Adam e Eve (ou Adão e Eva), nos remete ao primeiro casal bíblico, criados por Deus no intuito de viverem eternamente na terra. Escolha oportuna, visto que a imortalidade é a peça chave no desenvolvimento da obra e o diferencia de tantas outras já lançadas. A vida milenar em que vivem na terra aparece nos diálogos, onde falam de oitenta anos como se fossem meses, mas ainda mais representada na cultura e inteligência que parecem ter obtido com o passar do tempo. Citam nomes como Galileu e Newton, figuras tão distantes historicamente para nós, abordados por eles com um ar de proximidade e em total dominação no assunto. Suas mentes acabam por ser como os livros, funcionando como registros históricos de todos os acertos e erros da humanidade. O peso de ser imortal é visto na melancolia e até mesmo raiva em que lembram das injustiças cometidas na ciência e a degradação que o mundo já vêm enfrentando durante muito tempo. Está presente no saber que dia após dia eles estarão ali, adicionando mais “experiências” em suas memórias, muitas delas não muito prazerosas e que os fazem sentir ainda mais raiva dos “zumbis”, forma como eles chamam os seres humanos, fazendo uma referência a alienação.

Os vampiros de Jarmusch passam distantes da vida frenética levada pelos personagens de alguns filmes, tal qual “Anjos da Noite”. Vivem isolados em uma casa, decorada por livros, discos e instrumentos, passando quase que o dia dormindo, para a noite se alimentarem ( de uma maneira bem mais Séc. 21 como eles mesmo dizem ) e darem alguns passeios rápidos pela cidade. O visual do filme acompanha esse perfil anti-social, principalmente de Adam, um músico que não pode ter seu nome divulgado na mídia, mesmo com o seu sucesso. Descabelados, com roupas de cores escuras e neutras, têm forte inspiração no visual punk, beneficiando-se também do fato de todas as cenas externas serem noturnas e transmitindo uma ligação com o estilo de vida de um rockstar.

the only lovers left alive

O lado romântico de um casal apaixonado durante tantos anos, ganha força com as interpretações de Tom Hiddleston e Tilda Swinton. São detalhes sutis, mas que fazem a diferença, como o olhar de paixão em que ela ainda vê a fotografia de seu casamento ou a forma como o corpo dos dois se combinam, parecendo um só. A beleza incomum dos atores, um pouco fora da padronização estética americana, acabam encaixando perfeitamente com essa estranheza estética proposta. Para o climax, surge uma Mia Wasikowska, fazendo uma performance bem mais descontraída, na pele de uma jovem vampira inconsequente, quebrando a monotonia do casal e o ritmo lento até então adotado pela produção.

Jim, utiliza com inteligência esses seres fantasiosos, no propósito de discutir temas ainda mais relevantes, como o preço da imortalidade, muito cobiçada por nós humanos e o curso que a história vem tomando. “Only Lovers Left Alive” termina por confirmar minhas expectativas, ao extrair desse tema já abordado exaustivamente, uma nova visão. Desde já, um dos melhores lançamentos do ano.

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