ALGUÉM COMO EU | Direção: Leonel Vieira | Elenco: Paola Oliveira, Ricardo Pereira, Julia Rabelo, Sara Prata, Arlindo Lopes | Roteiro: Tatiana Maciel & Adriana Falcão | Duração: 87 minutos | País: Brasil/Portugal | Distribuição: Downtown Filmes | Data de Estreia: 24 de Maio de 2018

Helena e Alex são um casal, que como qualquer outro, vive diferentes fases no seu relacionamento. Depois de alguns meses de dúvida sobre seu relacionamento e incomodada com alguns comportamentos de Alex, Helena começa a imaginar como ele seria se fosse como ela. É aí que em um dia, após uma oração, Helena tem seu desejo atendido.

É com essa premissa até bem interessante e com cara de diversão garantida que estreia “Alguém Como Eu”, nova comédia romântica brasileira, ou melhor, uma coprodução Brasil/Portugal. O filme tem direção do português Leonel Vieira, que dirigiu por lá produções como “O Leão da Estrela”, “Arte de Roubar” e “O Pátio das Catingas”, um grande sucesso local e que posteriormente virou minissérie. Aqui em solo brazuca, o cara é conhecido por dirigir o filme “A Selva”, com Maitê Proença e como coprodutor dos longas “Budapeste” e “A Estrada 47”. Como esses seus outros trabalhos por aqui, apesar do elenco brasileiro, “Alguém Como Eu” tem um pé inteiro em Portugal, sendo praticamente todo gravado lá, embora sem nenhuma explicação aparente no enredo. Óbvio, as explicações estão muito mais nos créditos iniciais, onde vemos o patrocínio do Ministério do Turismo de Portugal, transformando o filme em um grande cartão postal.

“Alguém Como Eu” começa como uma comédia romântica normal, com sua protagonista cheia de dúvidas e neuras sobre seus antigos namoros frustrados – agora se redescobrindo em um novo país. Os problemas do longa realmente surgem quando a tal “ideia interessante e com cara de diversão garantida” pinta em cena. Primeiro que ela demora demais para surgir, mais precisamente 30 minutos. Isso até poderia ser normal para um drama de Cannes com desenvolvimento lento, mas não para uma produção descompromissada que não chega a ter 90 minutos de duração. Eis que quando temos a “grande sacada” do roteiro de Adriana Falcão e Tatiana Maciel, com a chegada da versão feminina de Alex, a produção perde inúmeras oportunidades de fazer algo interessante com aquilo, tornando-a desnecessário no conjunto do filme. Não existe carisma nenhum na nova personagem e nem cenas de humor sendo aproveitadas com as situações bizarras que aquilo poderia render. Inclusive, “Alguém Como Eu” seria um filme bem melhor se assumindo apenas como uma comédia romântica banal, apesar de ser bem ultrapassada essa ideia de mulher de sucesso que só acha a felicidade acompanhada.

Mesmo não tendo o selo Globo Filmes,  o casal principal é interpretado por dois nomes conhecidos da telinha. Paola Oliveira (de “Entre Lençóis” e “Uma Professora Muito Maluquinha”) se segura bem como protagonista, ainda mais de um filme tão light e que exige apenas o seu carisma natural. Ela divide a cena com o português Ricardo Pereira, que faz muito mais cinema lá em Portugal do que aqui no Brasil, onde se dedica mais as novelas. Os dois podem não ser um exemplo de química perfeita, mas também não comprometem. No elenco de apoio temos Julia Rabelo, bastante mal aproveitada, Arlindo Lopes e Sara Prata, vivendo a versão dos desejos de Helena, bem apática em cena – muito culpa da direção, visto que cada vez que sua personagem aparece a atmosfera lembra mais um comercial de loja de departamento.

Para não chamar toda a sessão de perda de tempo ou desperdício de dinheiro, talvez alguém se contente com o carisma e a beleza do casal protagonista ou quem sabe das incríveis locações de Portugal. Pelo menos do ponto de vista “cartão postal”, o filme deixa uma vontade enorme de conhecer um pouquinho mais do país.

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