Título Original: La famille Bélier

Gênero: Comédia

Duração: 100 minutos

País de Origem: França

Direção: Eric Lartigau

Elenco: Louane Emera, François Damiens, Karin Viard, Ilian Bergala & Eric Elmosnino

 

Neste último domingo, 25 de Janeiro, caí de “paraquedas” na sala de “A Família Bélier”, em Porto Alegre. Depois da sessão do polonês “Ida” estar lotada, me vi frente a um filme sem saber sinopse, recepção do público ou qualquer maior informação. Confiante mesmo, estava apenas no habitual bom gosto francês e de fato, a sensibilidade e leveza com que o seu cinema costuma abordar alguns temas é louvável – aqui ganhando espaço a deficiência auditiva, assunto pouco recorrente nas telas.

No filme os Bélier são uma família de deficientes auditivos, exceto Paula. A filha, é sua interprete e vive com eles em uma região rural da França. Nas aulas de música da escola, a jovem acaba descobrindo seu dom para cantar, recebendo então um convite de seu professor para um teste em Paris.

Um dos problemas abordados e que serve de escada para os melhores momentos de humor é a dificuldade de comunicação – não só pela falta de audição, mas principalmente por  terem optado por uma vida rural e isolada. O roteiro faz então bom uso do estilo “caipira” dos personagens, bastante atrapalhados e divertidos, principalmente em contato com estranhos. As “traduções” da filha, tentando evitar a sinceridade exagerada (e muito!) dos pais rendem ótimas cenas,  como a consulta médica ou os diálogos com o prefeito.

Os integrantes dos Bélier tem características próprias bem marcantes: Karin Viard (Polissia e Pótiche: Esposa Troféu), faz a mãe histérica, exagerada e super protetora. François Damiens (As Férias do Pequeno Nicolau), trás o pai de aparência fria, mas muito amoroso – esse talvez o que melhor tenha achado o tom para seu personagem. Já o caçula é o típico pré-adolescente em busca do primeiro contato sexual. Para a protagonista, o diretor chamou Louane Emera após assisti-la em um show de calouros da TV francesa. A atriz que aprendeu a linguagem de sinais para o papel, além de dedicada consegue segurar as pontas em seu primeiro trabalho no cinema.

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Como infelizmente nem tudo são flores, é difícil deixar alguns de seus defeitos sem serem citados, mesmo com toda sua “fofura” contagiante. O romance entre Paula e seu parceiro de canto Gabriel por exemplo, ganha cenas totalmente superficiais e saem ainda mais prejudicadas pela falta de expressão e carisma de Ilian Bergala, seu intérprete. As próprias cenas de canto são outro problema – as repetições da canção Je Vais t’Aimer acaba enjoando em determinados momentos. No hora da apresentação de Paula (linda por sinal) onde o áudio é cortado, acaba não só sendo uma representação da sensação da família em não poder ouvir a voz da filha, como um descanso para os ouvidos do espectador.

No seu país, a produção já levou aos cinemas mais de três milhões de espectadores e teve reações diversas com o público. Com sua mensagem final, “La famille Bélier” passa a não ser só um filme sobre comunicação (ou a falta dela), mas também sobre escolhas, libertação e seguir em frente, não só para os filhos, mas para os pais.

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