8º Olhar de Cinema | Considerações finais

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Chegou ao fim nesta quinta-feira, 13 de junho, a oitava edição do Festival Internacional de Curitiba, o Olhar de Cinema. Numa edição completamente politizada, seja pela temática dos filmes ou pelas presenças fortes de diferentes personalidades de lutas políticas e sociais, os principais longas premiados foram majoritariamente dirigido por diretoras, com temáticas de relevância, sem doar partidário e tão pouco panfletário.

Fiquei particularmente contemplado com a mostra do Raúl Ruiz, aonde houve um amplo resgate do cineasta e de obras feitas por demais cineastas no exílio político nas épocas das ditaduras militares latino-americanas. Num momento aonde há uma plena manipulação e banalização sobre a mera existência de um regime de exceção no país, opinião partilhada inclusive pelo atual presidente da república. Portanto, soa um alento e uma forma de resistência, tamanho resgate da representação do exílio e do autoritarismo – que veste-se com novas roupagens e ascende mundialmente.

Outro grande acerto foi a distribuição dos prêmios pelos júris oficiais: “Diz a Ela Que Me Viu Chorar“, de longe, era o longa-metragem mais coerente e que melhor dialogava no quesito de representação do afeto em meio à figuras marginalizadas e excluídas, que tentavam ser incluídas via políticas públicas. A menção honrosa ao filme de Affonso Uchôa também foi justa, visto que “Sete Anos em Maio” não é um curta, completamente deslocado na competitiva desse formato.

Das minhas ressalvas, acredito que faltou uma iniciativa por parte do festival em trazer diferentes segmentos da sociedade, aos quais não se sentem sequer no direito de frequentar os cinemas de uma região de classe média alta da cidade de Curitiba. A presença do MST nas sessões do filme “Chão” foram um alento, porém, não foi o mesmo sentido nos demais longas, aonde seria fundamental a presença de estudantes secundaristas, movimento dos sem teto e por aí vai. Pelo ineditismo do momento, aonde se tenta desmantelar a cultura nacional, é de extrema importância que os eventos do país tentem dialogar com públicos não acostumados a consumir outro tipo de cinema, que não seja o blockbuster. Isso até gerará uma heterogeneidade do público e fará acalorar os debates, rendendo frutos do contraponto.

O 8º Olhar de Cinema termina com uma proposta de curadoria ímpar, das mais interessantes e ousadas do cenário dos festivais nacionais. Acaba de forma melancólica pelo fato de não sabermos o que está por vir, mas na expectativa de que haja resistência via produção cultural e cinematográfica. O oitavo olhar de cinema conseguiu ser um momento de resistência, resgate e muita celebração ao cinema e aos distintos povos e sociedades. No aguardo da nona edição, com a esperança de que seja ainda maior.

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